JMpoesias


Plurais

Há poetas que amaldiçoam

outros que celebram

tem os que praguejam

e aqueles que rezam.

 

Eu, pretenso poeta,

me perco nesse universo

e faço versos, controversos

ora  cordatos, odes

ora de protestos.

 

Sou matéria em transformação

às vezes fina seda, n’outras pedra bruta

um estranho a cada segundo

com imensa vontade

de ser plural no mundo



 Escrito por Zé às 19h49 [] [envie esta mensagem]






Desejo oculto

 

Sob camadas espessas

oculto esse desejo

que aflora de mim

como a semente da terra.

 

Decerto, viesse à tona

inquietaria teu espírito

como as tormentas marinhas

inquietam os veleiros.

 

E assim meio a contragosto

à tua juventude, agradeço

por não te permitir ler nos meus olhos

as palavras que na boca emudeço



 Escrito por Zé às 19h53 [] [envie esta mensagem]






Cegueira

 

Contigo eu topo seguir qualquer caminho; a ermo, me perder, perder a cabeça.

              Ainda que depois não haja antídoto que a minha lucidez restabeleça.

Aceito, creia! até mesmo que tu me leves de carona nas asas do vento agarrado à tua cintura e juro; durante o caminhar não vou me preocupar com regras, com o passar do tempo, - se rápido ou lento, frio ou quente.

Não darei tréguas ao senso que vai martelar minha cabeça tentando chamar-me à “razão”. Em vão. Eu vou. Estou decidido.

Livrar-me-ei de todas as rédeas e cabrestos.

Vou desabalado ficar ao seu lado onde quer que você se estabeleça.

Não me importarão os chamados, as convocações, as obrigações - às favas com as obrigações! -, nada será capaz de me deter.

Vou contigo para perder os sentidos, o tino. Você será meu único destino; minha casa, a asa aconchegante, a amante.

Quero ir sem mais demora; agora. E perder de vista todos os parâmetros dos quais me cerco para estar exatamente onde a sociedade exige que eu esteja, a postos - o politicamente correto, o modelo de retidão, o homem de bons modos e bem sucedido – chega! Vou sem culpa, para dar vazão a essa doce loucura que é viver livre dos dogmas que as boas regras de conduta me impõem.

 



 Escrito por Zé às 13h06 [] [envie esta mensagem]






Anomalias

 

São tantos os corpos moldados

e mentes doentias

tantos os desvios

as anorexias



 Escrito por Zé às 22h52 [] [envie esta mensagem]






Da relevância do que nos parece irrelevante

 

Nas tardes quentes e de pouco vento da velha Tiradentes Sebastiana buscava amenizar os efeitos da menopausa

apoiando os cotovelos na janela de um velho casarão da Rua Castro Alves, herança que lhes deixaram os avós.

Apesar do pouco movimento na rua estreita e íngreme, por ali passava sempre alguém menos apressado disposto a lhe conceder um dedo de prosa.

Isso a distraía, e ela acabava esquecendo por alguns instantes do calor insuportável que lhe consumia as entranhas desde que se livrara do incômodo ao qual estão fadadas todos os meses as mulheres. O incômodo que para algumas é bônus e para outras um imensurável ônus. Para Sebastiana, certamente, a classificação do incômodo caia na segunda hipótese, haja vista não ter contraído núpcias e, conseqüentemente, não ter concebido.

Haviam alguns inconvenientes no ato de acocorar-se à janela, dentre eles, homens que, intrépidos,  arriscavam  lhe dizer um gracejo e exageravam, outros que lhe declamavam poemas mais picantes, e ainda outros, mais atrevidos, que ousavam lhe oferecer rosas vermelhas. Mas isso tudo dependia de como estava seu humor. A depender, as rosas despertavam-lhe agradáveis sensações. Nestes dias, ela as recebia e até ensaiava um sorriso em agradecimento.

Entretanto, comumente, Sebastiana desdenhava dos homens. Os achava patéticos, sem noções do ridículo. Fazia beicinho e os ignorava. Mas acostumou-se àquela rotina de tal modo que jamais parou para pensar o quanto ela lhe era aprazível.

Certa feita, num desses dias em que o sol parece tudo querer derreter,como de costume, Sebastiana emoldurou-se da janela, e ficou à espera.

Inquieta, insistentemente esticava o pescoço além da moldura a espiar a presença de alguém.

Estranhou. Nenhuma alma viva passou naquele dia, nem nos que se sucederam.

Sebastiana prostrou-se com profunda depressão. Recolheu-se, e nunca mais mostrou-se à janela.



 Escrito por Zé às 14h02 [] [envie esta mensagem]






Ideais e conquistas

 

Ah meu camarada; se soubesses...

eu já ergui bandeiras, já pintei o rosto, defendi ideais

ao som de um poeta conclamando o povo a sair dos quintais.

Caminhando e cantando, como sugerido,

já derrubei muros que cegavam olhos para os umbrais.

Assoviando as canções do novo mundo

enfrentei a fúria e a insensatez dos poderosos,

dos soldados armados;

gritei palavras de ordem contra a opressão; pensamento livre,

mesmo trancado entre os muros da prisão.

Ah meu camarada, se soubesses...

quantos gritos de horror eu escutei, quantos gemidos,

quantos vi tombarem em silêncio heróico

resistindo às penas com nervos contraídos.

E de que valeu a luta, não fosse me livrar da culpa

que não pesará impiedosa sobre minhas costas?

No entanto, eu queria mais;

muito mais que o simples sentimento de dever cumprido

e a consciência tranqüila

Queria ver o verde da esperança brilhando no olhar dos desvalidos

o sorriso alegre no rosto da criança,

um povo livre em seu pensar.

Apenas isso eu quis

quando gritei abaixo a ditadura

quando engrossei o coro das “Diretas Já”

quando elegi o meu representante

quando pintei o rosto e derrubei um presidente;

Apenas isso eu quis

quando na noite escura protestei nos muros do país.



 Escrito por Zé às 12h58 [] [envie esta mensagem]






Com a cuia em Cuiabá

 

Costumam dizer por aí que Cuiabá é tão quente que  as galinhas daqui comem milho e cagam pipoca. De fato, a capital matogrossense é reconhecidamente uma das cidades mais quentes do País, mas daí também já é exagero usar palavra tão feia para dizer que o calor aqui é algo que incomoda quem vem de fora.

 

Acredito que a alta temperatura na cidade decorra do fato dela – caramba! - estar localizada entre chapadões (chapada dos guimarães), como se estivesse cercada e impossibilitada de receber ventos, por isso a sensação térmica é maior. Além disso, ela se localiza exatamente no centro geodésico da América do Sul.

 

O que vem a ser isso?

Ah. vai pesquisar no Google.

 

Cheguei aqui às dezessete horas de um dia abafado de outubro. Após dois meses sem chover na cidade, no dia seguinte ao da minha chegada, às cinco da manhã desaguou um toró daqueles de respeito.

 

Uma hora a menos do horário de Brasília ajudou-me bastante, considerando que teoricamente teria uma hora a mais para dormir. E tem mais, ao menos durante esse tempo que ficarei por aqui, tomarei de volta a hora que o horário de verão me roubou. Bem, mas isso são apenas conjecturas. Voltemos ao assunto.

 

A chuva sobre o asfalto quente e castigado da Capital do Mato Grosso –  aqui tem muito cimento – provocou imediata reação do solo. Subiu um vapor que, meia hora exposto a ele, seria tempo suficiente para cozinhar os miolos do cara mais cabeça dura que você conhece. Pense em um cara cabeça dura. Aquele seu amigo que sempre resiste em aceitar qualquer coisa. Pois é, meia hora seria capaz de cozinhar os miolos dele.

 

Apesar das águas do rio Cuiabá limitar o município a oeste, não é dado aos cuiabanos o direito de se refrescar e refestelar às dez horas da manhã de qualquer dia feira da semana em suas águas. A menos que esse seja um vagabundo qualquer; coisa rara nesta cidade de gente trabalhadora. Então, surgiu a idéia de perguntar algumas pessoas da cidade a quais artimanhas recorrem para amenizar o efeito de tanto calor.

 

A primeira tentativa de entrevista foi feita com um ancião que encontrei no cruzamento de duas ruas, cujos nomes agora me fugiram, no centro da cidade. Estava ele lá, fazendo pausa, encostado a um poste fumando, bem ao sol de meio dia, quando o abordei.

 

 Além do aspecto folclórico percebi logo tratar-se de um ladino, tamanha a facilidade de prender a atenção das pessoas manejando tochas como se estivesse no picadeiro de um circo, em troca de algumas moedas que tilintavam numa caneca que ele corria ao final de sua performance.

 

Eu estava ali parado, na espreiita, e quando ele fez uma pausa, corri a saber que resposta ele tinha para essa minha indagação. Afinal, além de viver exposto ao escaldante calor de Cuiabá, ele ainda trabalhava com aquelas tochas.

 

Para não entrar de sola, primeiro perguntei o que de interessante para fazer na cidade.

 

Não prestei muita atenção na resposta eu estava mesmo interessado era na questão do calor e quando ele me respondeu fiquei intrigado.

Disse-me ele que, para amenizar o calor de Cuiabá os cuiabanos traziam consigo; cuias.

Eu, Incontinenti, retruquei.

- Uai, você deve estar louco. Cuia não é um objeto usual entre os cuiabanos. Que eu saiba quem gosta mesmo de cuia é o povo lá dos pampas.

Então ele me disse:

- Não vês? Repare nas mãos, penduradas à tira-colos, equilibrada sobre aas cabeças, acondicionadas em capangas...

Realmente eu não havia prestado atenção. Mas, todos os homens, e todas as mulheres, e todas as crianças, os negros, os brancos, os pobres, os ricos; invariavelmente traziam consigo tais recipientes. Vendo minha cara de espanto ele acudiu dizendo:

- Todos trazem água para se refrescar enquanto se locomovem de um lado para outro da cidade.

Como eu disse antes, no início dessa prosa, para cumprir minha missão nesta cidade vai ser preciso ficar por aqui uns quinze dias. Assim, para não ser o diferente, corri a comprar minha cuia também. E foi essa a razão do título dessa conversa.

 

José Maria Alves Nunes

Cuiabá, 20 de outubro de 2009

 



 Escrito por Zé às 21h06 [] [envie esta mensagem]






Fico assim, sem saber... (A Minha Preta)

 A minha preta agora dá de ombros 
Não faz nenhum caso
 Quando me atraso
 me causando assombros.

 Ela agora põe mãos nas cadeiras
 roda calcanhares enquanto lhe explico
 sobre meus sumiços
 toda sexta-feira.

 Vaidosa, a minha preta agora cuida de seus dentes 
estica os cabelos, recebe massagem,
 toda preocupada com a sua imagem,
 e solidária, sai todos os dias a visitar carentes.

 A minha preta agora gruda ao celular;
 fala com o dentista, com o analista, com o figurinista...
 E quando estou próximo, humanista,
 baixa o tom de voz, para não incomodar.

 A minha a preta agora usa cada termo;
 fala de “piling”, 
cursa inglês, pretende ser “bi lingue”;
 E se alguém adoece diz “está enfermo”

 A minha preta agora calça salto alto
 só compra em butique
 muitas “lingeries” e roupas de “grife”
 e tudo com preços que é um assalto

 Mas quando eu lhe pergunto, Deus!!!
 De onde vem a grana, 
a nega me diz que é fruto do trabalho na aduana
 outro termo estranho que ela aprendeu

 A minha preta agora só anda apressada, mal me diz um oi
 Não pára em casa, fica indo e vindo,
 e quando eu lhe pergunto se está me traindo,
ela já se foi.



 Escrito por Zé às 13h42 [] [envie esta mensagem]






Eu, José

 

Chamo-me José, e gosto disso

sou de hábitos simples

gosto de ouvir barulho de chuva

de grilos, e de riachos

pouco converso

principalmente se não acompanha a prosa

um vinho, um bom café, tragados com verso.

Para alguns sou: o Zé!

Não um simples Zé, mas o Zé simples

o jardineiro de mão boa

uma espécie de veneno contra pragas

e ervas daninhas.

Outros acreditam ser eu um poeta

mas confesso que sou apenas

um instrumento nas mãos da poesia

que faz de mim o que quer

andarilho, rei, mendigo,

até mesmo um Zé mané



 Escrito por Zé às 15h43 [] [envie esta mensagem]






Assusta-me o fato das pessoas se espantarem mais com a honestidade de alguém que encontra algo de valor e devolve ao dono do que com os corpos assassinados a sangue frio na escadaria de uma igreja. Este é um claro sinal de que os malefícios estão sobrepujando os benefícios. (J.M.)



 Escrito por Zé às 15h24 [] [envie esta mensagem]






A quem escrevo

 

Eu não escrevo para os pessimistas

Que só enxergam pedras no caminho

Mas para aqueles que ainda ousam sonhar

E sabem colher rosa entre os espinhos

 

Escrevo para os bravos que movem as pedras

E com as próprias mãos fazem seu destino

Aqueles que ao óbvio e ao ócio contrariam

E fazem o futuro aparecer menino

 

Eu não escrevo para os homens fracos

De luz e esperança no porvir

Que se sepultam antes do embate

Temendo a espada lhes ferir

 

Escrevo para os destemidos, para os guerreiros

Que formam os exércitos do transformar

Não se entregam frente aos desafios

E lutam bravamente em terra ou alto mar

 

Eu não escrevo para os hipócritas

Que pregam a luta e fogem da batalha

Mas para aqueles que sobrevivem à guerra

E com as próprias mãos se despem da mortalha



 Escrito por Zé às 21h35 [] [envie esta mensagem]






De foro íntimo

 

Eu nu,

despido de preconceitos

com qualquer uma me deito

sem decoro ou distinção.

Faço amor de olhos fechados,

vejo negros cabelos dourados,

brancos; ruivos, lisos; encaracolados.

Eu nu,

despido de pudores

não uso distinguir as cores,

imagino tua pele branca

negra como ébano

vejo pretos teus olhos azuis

daltônico, não sei as cores que possuis.

Eu nu,

despido de reticências

sou a própria indecência,

declamo poemas do Bandeira,

murmuro palavras obscenas

aos ouvidos de louras ou morenas

porque amar é sempre o que vale a pena



 Escrito por Zé às 21h33 [] [envie esta mensagem]






Pra não dizer que eu fiquei com a boca escancarada só falando de flores enquanto a banda passava, também

Na vida sou a terra prometida
Daquela que um dia emergirá
Encantadora como as sereias
Das águas bravias desse mar

Sou âncora fincada em cais de porto
Onde ninguém jamais ancorou barco
Farol onde um herói quedou-se morto
Navio soçobrado nas águas de março

Sou o vento forte pai da tempestade
Que causa aos barcos leves os naufrágios
E sopra aos seus ouvidos sem alarde
Segredos que pensas ser presságios

Sou o eco da voz que não se cala
O grito de dor na noite escura
Sou o corpo jogado nessa vala
Produto final de uma ditadura

Sou nas águas da vida a jangada
Que baila sobre as águas soberana,
Árvore frondosa à beira da estrada
Gaivota na praia de Copacabana

Sou bandeira símbolo de luta
Erguida pelo braço de um herói
A tremular na terra absoluta
Pilar de um ideal que se constrói

Sou erva daninha crescendo nos jardins
Das mansões dos “anões” do orçamento
Dos sonhos infantis sou os querubins
Na consciência do ladrão sou o tormento

Sou o ódio no olhar do excluído
O negro, a “bicha”, o sertanejo.
Sou a mão estendida do mendigo
E a intenção lasciva de um beijo

Sou a corda no pescoço de um condenado
O sorriso forçado de uma meretriz
Sou parasita rei condecorado
O retrato fiel de um infeliz

Sou o que no mundo não descansa
Vaga-lume, pisca-pisca da escória.
Aquele que não perde a esperança
De mudar o epílogo da História



 Escrito por Zé às 12h46 [] [envie esta mensagem]






Da natureza

Quando conheci a Senhora Catharina, ainda que trôpegos, eu bem que ensaiei uns passos em sua direção. Entretanto, sabia que não conseguiria lhe falar das coisas estranhas que eu sentia. Com certeza, tropeçaria nas palavras, me engasgaria e não lhe diria patavinas sobre o alvoroço que me causava e me deixava de rosto corado quando a fitava.

A senhora Catharina, - cá na minha imaginação infantil – pois jamais ousei lhe perguntar a idade – devia estar ainda na casa dos vinte, mas exibia uma aliança de casamento no anelar da mão esquerda, e sabia como ninguém acender a fogueira dos meus treze anos.

Quando ela, a Senhora Catharina, percebeu meus olhares de menino afoito e ávido por descobertas a espiarem sua sensualidade feminina, bem como a revolução que causava em mim seus atributos físicos, passou a me castigar - penso eu - de forma proposital. Hora cruzava as pernas bem torneadas, languidamente; n’outras mordia os lábios me olhando de lado, com um olhar insinuante.

O auge do flagelo se dava quando ela usava uma blusa de renda carmim, cujo decote revelava dela a brancura do colo e atraía como imã meus olhos curiosos e meus sentidos. Naqueles instante nada mais eu via ou ouvia. Os seios contidos pelo sutiã, pareciam, por vezes, clamar por liberdade. E eu ali, na resistência, sonhava ser o herói que os libertaria.

Não sei se a Senhora Catharina imaginava quais eram meus pensamentos. Se ela tinha idéia do alcance de minha imaginação. Não devia ter. Soubesse ela com que vestes povoava o meu universo, certamente não ficaria imune a um mínimo de alvoroço que fosse. Uma ruborização de rosto, que fosse, deixaria transparecer. Ou será que ela sabia? Não sei.

Sei apenas que em algumas ocasiões eram indisfarçáveis minhas reações diante de sua voluptuosidade. A senhora Catharina percebia, e parecia gostar de me ver assim, vexado, com as mãos nos bolsos disfarçando as vontades.

As visitas da Senhora Catharina à nossa casa eram esporádicas. Duravam o tempo necessário para mostrar à minha mãe as novidades, e os velhos produtos da Avon, dos quais era revendedora. Quando ela ia embora, eu ficava sonhando com a próxima visita.

O Tum Tum Tum no peito, o alvoroço, o afogueamento do rosto, que me causava a Senhora Cathariana duraram até o dia em que por acaso meus olhos encontraram os de Margarida.

Hoje, fixei o olhar mais atentamente para o nosso filho enquanto Keila, revendedora de produtos da natura, mostrava para Margarida uma infinidade de "cremes milagreiros", perfumes, desodorantes, e percebi nele o mesmo alvoroço que me causava a brancura do colo da Senhora Catharina.



 Escrito por Zé às 16h08 [] [envie esta mensagem]






Prece à esperança

 

Quando a intransigência impedir com sua força bruta

o meu pensar de transformar-se em voz, em gestos e ações

e nenhum eco de meu grito vibrar no vão do pensamento

 

Quando toda semente supostamente arguta

lançada à terra se perder infértil nos rincões

quando não mais me restar nenhum argumento

 

Quando improdutiva tornar-se essa labuta

e as verdades não causarem incontidas reações

não me permita viver esse tormento

 

Ata-me com laço forte à tua cintura

e leva-me contigo à sepultura!



 Escrito por Zé às 20h01 [] [envie esta mensagem]




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