Pra não dizer que eu fiquei com a boca escancarada só falando de flores enquanto a banda passava, também Na vida sou a terra prometida Daquela que um dia emergirá Encantadora como as sereias Das águas bravias desse mar Sou âncora fincada em cais de porto Onde ninguém jamais ancorou barco Farol onde um herói quedou-se morto Navio soçobrado nas águas de março Sou o vento forte pai da tempestade Que causa aos barcos leves os naufrágios E sopra aos seus ouvidos sem alarde Segredos que pensas ser presságios Sou o eco da voz que não se cala O grito de dor na noite escura Sou o corpo jogado nessa vala Produto final de uma ditadura Sou nas águas da vida a jangada Que baila sobre as águas soberana, Árvore frondosa à beira da estrada Gaivota na praia de Copacabana Sou bandeira símbolo de luta Erguida pelo braço de um herói A tremular na terra absoluta Pilar de um ideal que se constrói Sou erva daninha crescendo nos jardins Das mansões dos “anões” do orçamento Dos sonhos infantis sou os querubins Na consciência do ladrão sou o tormento Sou o ódio no olhar do excluído O negro, a “bicha”, o sertanejo. Sou a mão estendida do mendigo E a intenção lasciva de um beijo Sou a corda no pescoço de um condenado O sorriso forçado de uma meretriz Sou parasita rei condecorado O retrato fiel de um infeliz Sou o que no mundo não descansa Vaga-lume, pisca-pisca da escória. Aquele que não perde a esperança De mudar o epílogo da História
Escrito por Zé às 12h46
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