O que me traz o tempo
Hoje, não mais me iludem as ondas desse mar verde-azulado.
Precavido, prefiro a segurança de contemplá-las à distância
pois bem sei da sedução e da magia que exercem sobre mim.
Assim, contento-me em sabê-las ali no constante vai e vem lambendo os pés de outros pobres seres distraídos que ainda não se sabem seus cativos.
Entretanto, eu, não mais me deixo arrastar pelas marés como outrora, qual folha desgarrada da árvore lançada à sorte pelo vento.
Já não me envolve como antes o barulho de tuas águas quando zombeteiras lançam-se no rochedo, nem me preocupa a força de tuas ressacas.
Confesso! nem mesmo sinto aquele desejo insano de beber todo teu azul na esperança vã de matar minha sede.
Não me incomodam mais os pescadores a lançar sobre ti as redes
tampouco me hipnotizam os raios de sol no entardecer quando devagar adentram tuas águas e se entregam lânguidos aos teus braços.
Agora nem o clarão da lua cheia que te enche de mistérios me faz perder o prumo.
Bem ancorado em tuas praias, não mais serei barco à deriva a mercê de teu fascínio me apontando o rumo até que no horizonte infindo eu desapareça.
Mas cuido carinhosamente de teu leito para que possas descansar em paz nos braços de quem te mereça.
Escrito por Zé às 20h09
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