Fascínio
Aonde quer que eu vá o brilho de certos olhos verde-azulados me alcança e exerce sobre mim o seu fascínio. Por mais que eu tente escapar, todas as rotas de fuga, todos os atalhos, me conduzem ao seu encontro.
Diante de tal poder, comparo-me a um rio largo e denso que habilmente contorna as montanhas, percorre caminhos tortuosos, desenha paisagens, arrasta o que encontra à frente, mas não resiste aos apelos do mar e acaba sempre absorvido pela imensidão azul que lhe rouba a identidade.
Contra o magnetismo do brilho desses olhos tento erguer trincheiras, muros altos, barricadas e barreiras. Entretanto, tudo isso sucumbe ante o seu poderio. É impossível lutar contra os arsenais de seus exércitos. E assim, eles abrangem mais e mais espaço. Ditam políticas, definem novos limites geográficos, mudam as fronteiras, levantam novas bandeiras, indiferentes às minhas vontades.
Sem forças pra reagir, entrego-me inteiro e me divirto nos intensos momentos de festa. No auge do calor que me provoca o brilho desses olhos, faço planos, me transformo em imensos oceanos, ondas gigantescas, ressacas, e provoco o doce embalo dos navios...
Depois, do que me resta, procuro novas rotas, atalhos, saídas. Fujo.
Escrito por Zé às 12h32
[]
[envie esta mensagem]
[ ver mensagens anteriores ]
|