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Enquanto te espero O sol desce célere e o arrebol avermelhado anuncia uma noite fria. No bar à beira mar em que me encontro começam a chegar algumas pessoas. Parecem vindas diretamente do trabalho para um “happy Hour” com os amigos, pois, juntam-se em grupos. As conversas descontraídas e as risadas invadem todos os cantos, mas a mim não incomodam, ensimesmado, envolvido em meu mundo, não tenho ouvidos. Peço mais uma água tônica, a terceira. Nessas horas até bate um arrependimento por ter largado o cigarro; com certeza um trago agora me acalmaria os nervos, me faria relaxar. Uma gaivota pia, e o menino recolhe a pipa amarela que bailava no contraste azul do céu sem nuvens, a noite cai. Diante da proximidade do horário marcado para nosso encontro aumenta minha ansiedade. Um frio catarinense percorre minha barriga, minhas mãos inquietas suam. Meu nervosismo é evidente. Sinto-me um tanto ridículo por me comportar assim. Esboço um sorriso. Meneio a cabeça negativamente. Onde já se viu? Certamente, quando chegares, saberei me comportar diante de ti. Nenhuma atitude infantil, palavra descabida ou acesso de timidez irromperá; afinal, não sou mais nenhum adolescente; infelizmente. Então porque essa inquietação? Direi o que penso e desejo com clareza, nenhum temor embargará minha voz. As palavras fluirão naturalmente. Minhas mãos, tranqüilas, não me parecerão objetos estranhos, desgarrados de meu corpo. Saberei exatamente onde repousá-las. Meus gestos e sorrisos serão comedidos, para que não te assustes. Nenhum sorriso amarelo nem palavras que te façam corar. Encontrará em meu olhar a confiança de quem sabe o que quer. Não deixarei “i” sem pingo. Pronunciarei todas as sílabas como se as soletrasse. Serei claro ao falar de meus sentimentos. Não deixarei nenhuma dúvida sobre meus propósitos e não me afobarei ao ponto de tornar-me um tagarela. Abrirei parênteses, aspas, e deixarei algumas reticências para que mais te reveles. Na imensidão verde-azulada do mar de teus olhos mapearei os pontos navegáveis. Só lançarei âncoras em portos seguros, onde depois me banharei sem maiores pudores. Assim será. Claro! Não sou mais nenhuma criança. Enquanto espero, leio as horas a cada segundo como se fosse um jovem adolescente lançando-se às primeiras aventuras. O garçom parece perceber minha aflição. Acho que vou pedir uma bebida quente. Qualquer uma que me acalme esses batimentos cardíacos, entretanto, que não contenha nenhum composto afrodisíaco. Preciso me acalmar. Depois do primeiro trago, impaciente, chego a duvidar que você venha. Porém, ao levantar minha cabeça mais uma vez depois de ler as horas, vejo que te aproximas. Meu coração parece querer sair pela boca. Seus olhos verde-azulados, cristalinos, me fitam. E agora, que fazer dessas mãos enormes? Escrito por Zé às 22h30
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