Escrito por Zé às 07h51
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Os recados que o vento me trazia
Hoje senti saudade. Não uma saudade qualquer, mas uma daquelas que nos deixa melancólicos, distantes, e recolhidos a um canto em dúvidas quanto às escolhas feitas durante todo o caminhar.
Quieto e de olhos fechados ouvi o som do silêncio e os recados que o vento sorrateiro me trazia. Nunca antes eu havia escutado tal voz.
Dizia-me ele: Um menino magro, de olhos arregalados e joelhos salientes pede pra não esquecer os bodoques e arapucas. Que você os devolva o mais rápido possível.
Pensei: coisa mais maluca. E ri. Que bodoques? Arapucas?
Resolvi não dar importância a um fato sem procedência como esse. Tal recado não tinha pé nem cabeça. Era apenas um menino sem nome. Não me lembrava de conhecê-lo de nenhum lugar. Acenei negativamente a cabeça e fiz ouvidos de mercador.
Mas o vento insistiu: É um menino magro que fala de florestas, ninhos, passarinhos. Diz saber dos sertões, cachoeiras, rios, riachos...
Não conheço esse garoto - atalhei. Volte e diga a ele que é impossível devolver algo que não o tomei.
Obediente, o vento tomou rumo norte. De sorte foi ao encontro do tal pivete. Ah! Vai aborrecer outro.
Não demorou muito voltou. E trouxe dessa vez aos meus ouvidos o som de uma velha música. Eram os acordes de “O milionário” que invadia meus ouvidos.
Pronto – imaginei - o chato agora traz o recado com acompanhamento musical.
Mas o som envolveu-me de tal forma que de repente me senti nas asas do vento. Viajei.
Durante o longo percurso vi o tal menino em diversos momentos. Ora saboreava frutos ancorado a um galho de cajueiro, noutra mergulhava nu em pelo nas águas límpidas de um rio. Houve um trecho em que ria feliz enquanto corria atrás de uma bola de borracha junto com outros moleques numa pracinha poeirenta de um arraial.
Devo estar enlouquecendo – pensei - sem nada entender.
Na última cena o menino parecia triste. Com pés descalços seguia por uma estrada reta. No longo trajeto fugia da areia quente pisando folhas secas à beira do caminho e, vez em quando, refugiava numa sombra parca de pé de jurema. Parecia sedento.
Nos últimos acordes dos “Incríveis” assuntei-me. Reconheci o menino. Chorei.
Escrito por Zé às 20h31
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A todos os amigos visitantes agradeço a presença tão importante em minha vida e desejo a todos um 2007 repleto de saúde, paz e amor.
Obrigado por tudo
Zé
Escrito por Zé às 19h03
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