_________________________________________________________________________________________________
02 de novembro
Ana Maria despertara às seis horas da manhã com os pingos de chuva no telhado. Levantou-se. Envolveu-se no "hobby" e se apressou a abrir a janela do quarto. Recostada ao para-peito admirou o singelo jardim; a rosa amarela orvalhada, a grama a reagir contra a seca do cerrado, a trepadeira em cachos róseos emoldurando a janela...
Nunca experimentara na vida tanta paz.
Lembrou-se da malograda tentativa de casamento com Venâncio e balançou a cabeça como quisesse espantar maus pensamentos. Aquele pesadelo acabara há sete anos.
Voltou pra cama e, envolvida pelo acalanto dos pingos da chuva rala que despencavam do beiral, adormeceu novamente.
Ao soar da campainha, levantou-se assustada. Tal atitude não era comum àquelas horas da manhã nas cidades do interior goiano. Certamente, não fosse fato grave, uma falha imperdoável. Ainda mais num dia como aquele.
Abrira a porta. Surpreendeu-se. Movimentou o pescoço avançando levemente a cabeça para frente e aguçou a visão. Não quis acreditar. Levou as duas mãos aos olhos e os esfregou, abriu-os novamente piscando várias vezes como se fossem asas de beija -flor. Ao persistir a visão, meneou negativamente a cabeça.
-Bom dia, Ana! -Venâncio!? Não foi você mesmo que disse que pra você eu estava morta? -Então!? Por isso mesmo vim fazer-lhe uma visita – disse em tom sarcástico.
Depois de expulsá-lo novamente de sua vida, Ana voltou ao aconchego do leito e o sono logo chegou. Acordou às onze horas com uma dúvida: não sabia dizer se tudo fora um sonho ou a mais genuína realidade.
José Maria Alves Nunes Brasília, 02 de novembro de 2005
Escrito por Zé às 12h29
[]
[envie esta mensagem]
[ ver mensagens anteriores ]
|