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Brasília Tesouras lhe cortam Escrito por Zé às 12h39
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A banalização do absurdo O Brasil caminha a passos largos rumo a banalização do absurdo. Essa é a conclusão à qual chegamos ao observar a reação das pessoas diante de fatos como homicídios; crianças cheirando cola; famílias morando embaixo de ponte; corrupção e outros fatos “comuns” nos grandes centros urbanos. Até mesmo em algumas cidades do interior, não temos mais a garantia de tranqüilidade. O povo sem perceber perde seu jeito pacato, diante da obrigação de estar sempre atento e vigilante, desconfiando de qualquer um que se aproxime. Aos poucos, os nossos corações foram petrificados e nossa própria natureza, alterada. Será que a bondade não é própria da natureza humana? Decerto que algumas pessoas se degeneram e tornam-se verdadeiros monstros, mas o homem não é por natureza um ser ruim. O que existe é uma série de fatores de transformação, que podem levá-lo ao “inferno” ou ao “paraíso”; isso vai depender do ambiente em que vive. A verdade é que hoje em dia, aos nossos olhos, um corpo caído ao chão é apenas mais um. Não temos mais tempo de nos estarrecer com fato algum, seja a morte de um jovem de 23 anos, executado às 13:30h, em frente a uma panificadora; um casal de jovens namorados, seqüestrado e queimado dentro do porta malas de seu próprio carro; ou mesmo filhos matarem os pais e vice versa. Tudo isso caminha para a banalidade. Mas houve um tempo em que fatos como esse nos causava espanto e revolta. Cabe a nós descobrirmos quando e por quê perdemos a capacidade de ter esses sentimentos. Hoje somos escravos do medo. Não do medo de lobisomem, chupa-cabra, mula-sem-cabeça, curupira, e outras figuras que antes aterrorizavam as cidades e os sertões. Temos medo é de gente. É esse medo que agora nos dita as regras: evite andar só; evite andar à noite; evite lugares isolados, desertos (se bem que isso não está fazendo a menor diferença, assaltos acontecem a qualquer hora e em qualquer lugar). Estacionamento? Nem pensar, foi-se o tempo em que os casais podiam à noitinha namorar tranqüilamente dentro do carro num daqueles mais afastados. Agora isso é muito arriscado. Saímos pelas ruas assustados e alertas, olhando pra todo lado; somos vigias de nossa própria liberdade. Por tudo isso, os órgãos responsáveis em nos oferecer segurança aconselham-nos a voltar ainda cedo para as nossas gaiolas protegidas por cercas elétricas e alarmes. Ainda assim, temos sono sobressaltado. Josè Maria Alves Nunes Escrito por Zé às 12h19
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