Candeias da fé
Segue a lume de pavios
a procissão
Professa com fogo a fé fraturada
Os fiéis, fatigados,
à espera da fartura.
Até quando?
Candeias da fé
Segue a lume de pavios
a procissão
Professa com fogo a fé fraturada
Os fiéis, fatigados,
à espera da fartura.
Até quando?
Acerto
Pra terminar você me devolve esta caixa
Com alguns objetos, fotos, lembranças,
Acompanhada de um bilhete:
“eis aqui tudo que me deste.”
Entretanto, ao abrir a caixa
Percebo que você se esqueceu
de devolver, entre outras coisas,
os bons conselhos.
Corro pro espelho:
O meu melhor sorriso continua contigo
Pior ainda, de minha juventude nem vestígio
E os abraços, e beijos, onde estão?
Os anos, os planos, todos os sonhos, enfim...
Devolva-os, tenho um vazio à espera.
Odisséia
No vagar das horas
entre um e outro tic-tac
com um linguajar cheio de sotaque
escrevi uma odisséia
Ela principia na renda branca da saia
de uma mulher invisível
e morre nos babados das ondas
que insistem em vestir a praia
Front
Faz algum tempo estou à margem
Em paz.
Sai do campo de guerra
E nem sei se para ele volto mais.
Dei-me conta do quão estúpido
É ir pro front, lutar,
sem ao menos saber de seus ideais.
Estive pensando
Talvez a condição de ex-combatente
Me deixe mais contente
Quem sabe até consiga plantar um jardim,
Um pomar,
Ouvir passarinhos, ser poeta,
Versejar!?
De nosso amor
Eu não saberia dizer
acaso dele você me perguntasse
Às vezes, é tumor maligno, crônico
Ferida aberta, sangrenta
Outras vezes; manso regato,
Fiapo, fraco, imperene
Que ao calor do sol se evapora
Mutações
Para Maguinólia Galvão
Ao longo da estrada
Entre um e outro aperreio
Fui acrescentando bugigangas ao meu fardo
Até não mais suportá-lo.
Era um rol sem fim
Coisas abstratas, e concretas
Que iam da insegurança em relação ao futuro
a uma medalhinha de metal barato
Presente de meu primeiro amor
Depois, a duras penas, percebi o quão inútil era
A maioria delas
E fui deixando-as pelo caminho.
No princípio, sofri um pouco
Diante da drástica medida
Algumas lágrimas foram inevitáveis
Mas com o tempo acostumei-me com a leveza
Hoje, além do extremamente necessário, só carrego no fardo
Aquilo que a mim se incorpora
Sem me exigir maiores esforços
Tem gente que mal plantou o milho já quer colher o cuscuz. (JMAN)
Quase
No correr dos anos
A gente adapta os planos
às possibilidades
Fazemos novos arcabouços
De sonhos que caibam nos bolsos
Depois os abortamos em nome da sanidade
Para evitar frustrações criamos subterfúgios
seguros refúgios para a imaginação.
É chato quando a saudade vem e não conseguimos diagnosticar sua origem. A gente fica sem saber qual remédio tomar, e assim ela vai ficando mais aguda.
Pior ainda é descobrirmos a origem da saudade, e saber que o remédio é contra indicado. (José Maria Alves Nunes)
Vamos comer poesia para arrotar menos arrogância.
Meu silêncio (José Maria Alves Nunes) O silencio que faço é de puro espanto, de desencanto, e enorme desapontamento. Sabe esse descompasso, hora a pressa, hora essa angustiante lentidão? é de tristeza, incredulidade, e decepção.
Desprezo Que um dia, meu corpo inerte, sob a lápide fria, seja banquete de vermes; os legítimos. Enquanto vivo, dispenso aos pretensos, meu desprezo.
Aos meus queridos amigos visitantes,
Desejo um natal cheio de paz e amor e que 2012 seja de muita harmonia e prosperidade.
Obrigado sempre pelo carinho.
Bjs
Zé
(José Maria Alves Nunes)
E de repente, mais uma vez,
o coração perde o prumo
o rumo
e deixa-se levar
É o amor que, de um salto,
toma-o de assalto
o faz de gato e sapato
e depois me devolve só os pedaços
eu que me vire pra juntar os cacos.