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?? Com breve aceno, assim, quase com descaso, como se nosso caso fosse obra do acaso, fizeste de tudo pretérito. Agora o que fazer dessa saudade, desse cálice transbordado de angústia, da solidão do quarto vazio, do cio? Que fazer desses versos toscos de tão ingênuos, imbecis Onde desaguar as águas amargas desse rio? Que destino dar aos teus CDs de blues, aos cactos, trapos, perfumes intactos, e à fotografia enquadrada sempre à meia luz? Escrito por Zé às 18h58
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Quadro O nosso amor está emoldurado e pendurado à parede natureza morta um quadro de medidas exatas Escrito por Zé às 21h18
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Fascínio Aonde quer que eu vá o brilho de certos olhos verde-azulados me alcança e exerce sobre mim o seu fascínio. Por mais que eu tente escapar, todas as rotas de fuga, todos os atalhos, me conduzem ao seu encontro. Escrito por Zé às 12h32
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Enquanto te espero O sol desce célere e o arrebol avermelhado anuncia uma noite fria. No bar à beira mar em que me encontro começam a chegar algumas pessoas. Parecem vindas diretamente do trabalho para um “happy Hour” com os amigos, pois, juntam-se em grupos. As conversas descontraídas e as risadas invadem todos os cantos, mas a mim não incomodam, ensimesmado, envolvido em meu mundo, não tenho ouvidos. Peço mais uma água tônica, a terceira. Nessas horas até bate um arrependimento por ter largado o cigarro; com certeza um trago agora me acalmaria os nervos, me faria relaxar. Uma gaivota pia, e o menino recolhe a pipa amarela que bailava no contraste azul do céu sem nuvens, a noite cai. Diante da proximidade do horário marcado para nosso encontro aumenta minha ansiedade. Um frio catarinense percorre minha barriga, minhas mãos inquietas suam. Meu nervosismo é evidente. Sinto-me um tanto ridículo por me comportar assim. Esboço um sorriso. Meneio a cabeça negativamente. Onde já se viu? Certamente, quando chegares, saberei me comportar diante de ti. Nenhuma atitude infantil, palavra descabida ou acesso de timidez irromperá; afinal, não sou mais nenhum adolescente; infelizmente. Então porque essa inquietação? Direi o que penso e desejo com clareza, nenhum temor embargará minha voz. As palavras fluirão naturalmente. Minhas mãos, tranqüilas, não me parecerão objetos estranhos, desgarrados de meu corpo. Saberei exatamente onde repousá-las. Meus gestos e sorrisos serão comedidos, para que não te assustes. Nenhum sorriso amarelo nem palavras que te façam corar. Encontrará em meu olhar a confiança de quem sabe o que quer. Não deixarei “i” sem pingo. Pronunciarei todas as sílabas como se as soletrasse. Serei claro ao falar de meus sentimentos. Não deixarei nenhuma dúvida sobre meus propósitos e não me afobarei ao ponto de tornar-me um tagarela. Abrirei parênteses, aspas, e deixarei algumas reticências para que mais te reveles. Na imensidão verde-azulada do mar de teus olhos mapearei os pontos navegáveis. Só lançarei âncoras em portos seguros, onde depois me banharei sem maiores pudores. Assim será. Claro! Não sou mais nenhuma criança. Enquanto espero, leio as horas a cada segundo como se fosse um jovem adolescente lançando-se às primeiras aventuras. O garçom parece perceber minha aflição. Acho que vou pedir uma bebida quente. Qualquer uma que me acalme esses batimentos cardíacos, entretanto, que não contenha nenhum composto afrodisíaco. Preciso me acalmar. Depois do primeiro trago, impaciente, chego a duvidar que você venha. Porém, ao levantar minha cabeça mais uma vez depois de ler as horas, vejo que te aproximas. Meu coração parece querer sair pela boca. Seus olhos verde-azulados, cristalinos, me fitam. E agora, que fazer dessas mãos enormes? Escrito por Zé às 22h30
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Mágoas Do sal de tua lágrima me alimento por isso te magôo, atordôo causo sofrimento. Induzo-te à dor a todo instante abro feridas em tua alma porque ver-te em suplícios me acalma Escrito por Zé às 21h48
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Até o fim Dar de mim o sal diluído em gotas ínfimas cristalinas até cair ao solo o meu corpo inerte a matéria prima e alimentar os vermes famintos cumprir sua sina Escrito por Zé às 19h54
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Presença Chegaste como a chuva no sertão Foto: azaléia - JM
Escrito por Zé às 19h11
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Mergulhos Foto: Flor amor perfeito - JM Escrito por Zé às 12h26
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Enganos
Nos jardins de minha infância a flor mais bela brotava de certa janela. Espreitava-me à passagem depois se recolhia triste orvalhada julgando-se por mim ignorada
Foto: Santa Rita de Cássia - BA / JM Escrito por Zé às 21h32
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05/07/2007 - 21h42m
06 de Julho, uma data especial, nosso amigo poeta completa mais uma primavera. Zé, minha singela homenagem: A não fácil simplicidade Para Jose Maria Alves Nunes Tua poesia encanta Pois cantas em palavras A transparência e a beleza Da tua alma sertaneja Escrito por Zé às 21h24
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Revés
Agora que você se foi resta essa amargura entranhada no peito a solidão desse quarto vazio, o frio a tristeza invencível e minha vida sem eixo Escrito por Zé às 08h33
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Escrever Escrever versos é montar colares de contas: por vezes, coloridas; desbotatas n'outras tantas. Escrito por Zé às 21h46
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Rio Eu rio rio largo denso rio tão intenso que às vezes até penso ser um oceano Mas sou rio preciso desaguar urge que apontes o meu curso ou derramarei as águas n’outro mar Escrito por Zé às 12h57
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Confissão
Escrito por Zé às 09h01
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Vexames Chegaste assim sem aviso tirando-me o chão obrigando-me um comportamento de improviso a ponto de não saber dizer se tudo isso é inferno ou paraíso. Não disseste, palavra! entretanto, em minhas alucinações, vi em seu olhar mil interrogações. Sem freios e sem receios ofereci respostas até então para mim desconhecidas fiz exclamações inteiramente descabidas e proferi uma lista infinita de supostas verdades. Enfim, desnudei minh’alma, mostrei-me sem mistérios E no auge da febre em que eu ardia vi você pontuar várias reticências e à sua revelia completei todas as frases com mil e uma indecências Escrito por Zé às 10h21
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