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Razão
Desvende em mim os mistérios os cemitérios de amores mortos Natimortos Assassinados pela mente Inapelavelmente a sangue frio Escrito por Zé às 20h20
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Resquícios de memória Dos tempos idos, Bernardo guardava na lembrança as tardes fagueiras em que, no calor do sertão, espreitava Madalena nua, à beira da lagoa, a se banhar. Aproximava-se devagarzinho, pé ante pé, ocultado pelas folhas de buritis, junco e arbustos que margeavam a lagoa – maldizia a seca que deixava tudo mais despido que o corpo de Madalena - e ficava ali, em ponto estratégico; o coração aos pulos, os desejos à flor da pele, e os olhos vidrados, até o dia em que no auge do êxtase percebeu alguém a lhe cutucar as costas. Olhou desconcertado. - Vô, o jantar está na mesa! - Bernardo, assustou-se. Volveu a cabeça e deparou com o lindo sorriso da neta Josephine. Levantou-se da velha poltrona, puxou o pano que lhe descortinava o mar de Copacabana, e dirigiu-se à sala de jantar.
Escrito por Zé às 13h19
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Lágrima Hoje vi o mar nos olhos de Teresa e nele toda tristeza do universo fruto de um desenlace corria por tua face um rio em caminho inverso Escrito por Zé às 13h23
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Sob ação do tempo Eu já senti mais saudade de você. Escrito por Zé às 20h48
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Aridez(José Maria Alves Nunes/Joseval Coelho)
Dos olhos as lágrimas à força enclausuradas insistem em se libertar e arrefecer a sede do corpo em vão a aridez é permanente.
Escrito por Zé às 13h38
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Mudança de vento
Já não me alcançam teus olhos nem lembro mais a cor que eles tem
Um vento norte desatou nossos laços levou teu cheiro, o encanto levou também o meu pranto
Eu barco a vela ancorei-me a esperar vento sul que não tardou a chegar Escrito por Zé às 20h06
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Duas estações O ano de 1965 foi especialmente ruim para os sertanejos. Os dias pareceram eternos e o sol ainda mais impiedoso. No céu de palidez azul nenhuma nuvem, rasgada que fosse. O sol jamais se negava; nascia e morria com precisão suíça. Escrito por Zé às 23h38
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Memórias e cores Ingrata esta batalha que enfrento contra o tempo para manter vivas na memória todas as lembranças, pois ele tenta a todo custo apagá-las de maneira vil, fria, cruel. Na guerra, ele usa arsenais modernos e seu aspecto é sempre o mesmo; jovial, viçoso e fagueiro. Não impõe a si próprio sua ação. Mantém sua força. Enquanto eu fui transformado nesse espectro de gente que nem de longe lembra o menino ágil e sagaz de outrora. Ainda assim, em todas as manhãs repinto os quadros guardados na memória. Avivo bem suas cores - de cinza as tristezas, de vermelho os amores. O azul uso para as lembranças mais doces: a liberdade do menino jogando bola, mergulhando no rio, o papagaio no ar, o vôo no trapézio, os bons livros... Há também a presença constante do verde e do lilás, que simbolizaram a esperança e a força que carreguei durante toda a caminhada até aqui. Os tons pretos e acinzentados também estão presentes nas paisagens. Trazem certa melancolia. Ainda assim não os descarto. São necessários, pois me apontam os caminhos que devo evitar. A maioria dos quadros tem como motivo uma velha casa de taipa erguida em meio à caatinga, coberta por um céu de azul intenso, quase anil, e parcas nuvens brancas durante o dia e, à noite, por um breu impressionante que realça o brilho das estrelas nos períodos em que elas não coadjuvam a lua cheia. Existem também pendurados à parede da memória quadros cujos motivos são aglomerados urbanos; arranha-céus, velhos casarões, trilhos, veículos, e muitas antenas de televisão. O céu é coberto de cinza e não permite aparecer a luz do luar. Um olhar mais atento perceberá que o vermelho predomina nessas paisagens. Em contrapartida os tons são mais desgastados. Trata-se de quadros de restauração mais penosa e sendo assim, conseqüentemente, mais cansativas. Mas de igual importância de preservação. Mesmo cônscio da superioridade do tempo, e de estar certo que ele se sobrepõe a todas as coisas; apesar do trabalho árduo na restauração dos quadros já existentes, ainda me restam forças para a pintura de novos quadros. Muitos deles, ainda em tons vermelhos. Não me furto a pintá-los, apesar de sabê-los de difícil restauração. E assim vou misturando cores na tentativa de descobrir outros sabores em meio ao turbilhão de acontecimentos de que se faz a vida. Brasília - DF, verão 2009 Escrito por Zé às 23h26
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Definhamento
Receio meu amor tenha morrido estrangulado pelos teus ciúmes pois já não sinto os sintomas que denunciavam sua presença; aquela aceleração no peito o tremor de não ter jeito aquele fogo alto, labaredas... Agora não mais aquela necessidade de te ver, urgente nem a estranha sensação de estar só em meio a tanta gente, como antes Que dirá aquele alvoroço que tomava meu corpo quando me envolvia num abraço e teus lábios roçavam meu pescoço...
É quase certo que o meu amor morreu de tristeza, velho e cansado por ver seus olhos sempre transtornados a vigiar os meus. Tomara meu amor tenha apenas dado um tempo mas acho pouco provável difícil um sentimento resistir à amargura e manter-se vivo em clausura.
O brilho, antes intenso de meus olhos, aquele brilho evidente no olhar de quem ama, não vejo mais, nem resquícios do fogo só percebo as cinzas, nenhuma chama. o meu amor morreu Escrito por Zé às 11h14
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Certeza
Feliz é o vento que impunemente rouba da rosa o perfume e em segundos leva até você E pra me provocar, ainda fustiga teus cabelos.
Escrito por Zé às 11h13
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Caminhos Não haverá atalhos que te facilitem a caminhada. Tampouco paisagens sedutoras que lhe anestesiem os olhos. Para chegar ao meu coração será preciso vencer muitos obstáculos; trechos íngremes, desertos imensos, intempéries... Só os persistentes, aqueles que não temem as tempestades e não se afogam nas primeiras águas terão a ventura de banhar nos mansos regatos e descansar à sombra das árvores que me habitam. Não mais atrairei ninguém espalhando areias coloridas no caminho. Agora, deixarei transparecer as pedras pontiagudas, os espinhos. No trajeto nenhum manso regato, água limpa de riacho, olho d'água pra matar a sede. Dessa forma, de sorte quem alcançar meu coração saberá dar o valor que lhe é devido. Espero que assim, quem aventurar por tal caminho, aprenda a fechar os olhos para melhor sentir o doce aroma que emana das flores dos imensos jardins que trago em mim. Escrito por Zé às 22h44
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O que me traz o tempo Hoje, não mais me iludem as ondas desse mar verde-azulado. Precavido, prefiro a segurança de contemplá-las à distância pois bem sei da sedução e da magia que exercem sobre mim. Assim, contento-me em sabê-las ali no constante vai e vem lambendo os pés de outros pobres seres distraídos que ainda não se sabem seus cativos. Entretanto, eu, não mais me deixo arrastar pelas marés como outrora, qual folha desgarrada da árvore lançada à sorte pelo vento. Já não me envolve como antes o barulho de tuas águas quando zombeteiras lançam-se no rochedo, nem me preocupa a força de tuas ressacas. Confesso! nem mesmo sinto aquele desejo insano de beber todo teu azul na esperança vã de matar minha sede. Não me incomodam mais os pescadores a lançar sobre ti as redes tampouco me hipnotizam os raios de sol no entardecer quando devagar adentram tuas águas e se entregam lânguidos aos teus braços. Agora nem o clarão da lua cheia que te enche de mistérios me faz perder o prumo. Bem ancorado em tuas praias, não mais serei barco à deriva a mercê de teu fascínio me apontando o rumo até que no horizonte infindo eu desapareça. Mas cuido carinhosamente de teu leito para que possas descansar em paz nos braços de quem te mereça.
Escrito por Zé às 20h09
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Paisagem em branco e preto Inversos e controversos meus versos choram nascem tristes, acinzentados. Constataram que a matriz das cores que prateava a lua, dourava o sol matizava as flores e emprestava tons ao céu de abrolhos era o mar verde azulado de seus olhos Escrito por Zé às 16h31
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Decreto-Lei Este decreto-lei baixa regras que tem como objetivo principal à proteção de um coração já bastante experimentado e cansado de desilusões. Depois de sofrer vários assaltos, grande parte deles à mão-armada, resultando sérias lesões, cujas conseqüências são profundas seqüelas que comprometem seu perfeito funcionamento; Cansado de sofrer com os remédios amargos para a cura das feridas que deixam as mais profundas cicatrizes por toda sua extensão; A fim de evitar perdas irreversíveis de auto-estima e amor-próprio, cuja falta resulta em autocomiseração;
resolvo: 1 - A partir desta data fica interditado para reforma o meu coração. 2 - As obras consistem em todas aquelas necessárias à sua blindagem. 3 - Desde já ficam autorizadas as aquisições de todo material necessário à operação sem a necessidade de licitação, haja vista a urgência urgentíssima com que as obras devem ser iniciadas. 4 - Durante o período da obra fica terminantemente proibida a entrada de qualquer pessoa a despeito de quaisquer alegações. 4.1 – Obrigatoriamente, deverá ser colocada à entrada do canteiro de obras uma placa indicativa da interdição, a fim de garantir a segurança. Mas, o aviso deverá ter algumas ressalvas, tais como: – Aos que vem pela primeira vez: “Fechado para reformas, sem prazo de reabertura, volte depois” – Aos demais visitantes: “Demolido para a construção do presídio municipal. Cuidado: você pode ser confundido com indivíduos da pior espécie; saia voando” 5 – Deverá obrigatoriamente ser empregado na obra o seguinte material: 5.1 – Infinitas toneladas de insensibilidade 5.2 – Incontáveis caminhões de indiferença 5.3 – Infinitas pás de desconfiança 6 – Os materiais necessários à obra serão comprados diretamente na mão daqueles que deram causa a reforma pois são fontes inesgotáveis de tais matérias primas . 7 – Este Decreto-Lei entra em vigor a partir de agora 8 - Cumpra-se Capital Federal do Brasil, outubro de 2008 Escrito por Zé às 16h04
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Inconstância
No curso da vida às vezes sou rio; corro célere pro mar N’outras tantas sou poço estagnado Indeciso; manso lagamar Escrito por Zé às 15h01
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