JMpoesias


04/04/2013


Conflito

(José Maria Alves Nunes)

 

O espelho cruel de minha consciência

Insiste em refletir minha imagem.

No instante em que me avisto

Despisto, mudo de lado da rua,

Viro o rosto.

Não estou disposto.

E se me encaro não me reconheço

Pois o homem que dizia não ter preço

Fez-se mercadoria

Expôs-se em prateleiras

Vendeu-se barato

Nada restou

Escrito por Zé às 23h34
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31/03/2013


Valor relativo

(José Maria Alves Nunes)

 

Sob certas condições perdemos a espontaneidade

Inibimos ações, nos resguardamos.

Cada olhar - e são tantos - vem de janela diferente.

Ângulos diversos, e binóculos dispersos,

oferecem visões ampliadas, ou reduzidas,

verdadeiras, ou deturpadas; julgamentos, suposições.

Apontados; anjos somos, e demônios

Glorificados, excomungados.

Somos tanto

Tudo,

e nada somos.

Talvez pobres gnomos

Personagens irreais de um mundo perverso

adverso, e vil.

Cá pra mim, no final das contas, somados os atos,

juntados os cacos,

sou mero cognato de rato, ou gato,

a depender do balaio onde caio

quando me atiram porta a fora.

Escrito por Zé às 12h29
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02/02/2013


Escrito por Zé às 09h27
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27/01/2013


Escrito por Zé às 17h32
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Escrito por Zé às 17h32
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24/01/2013


Escrito por Zé às 18h27
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19/01/2013


Estéril

       (José Maria Alves Nunes)

 

Embora  fossem  muitos  os  pretensos  invasores

Por  um  descuido  seu,  e  suposta  sorte  minha,

Consegui  fincar  bandeira  nas  terras  de  seu  coração.

Instalado;   arei,  fertilizei,  e  espalhei  sementes.

Entretanto,  as  intempéries,  e  a  aridez,

obrigaram-me,  além  disso,  a  fazer   uso  de  regas regulares,

adubações  constantes,  e  de  técnicas  diversas.

Mas tudo  foi  em  vão,  sequer  uma  semente  germinou

Nas  terras  inférteis  de  seu  coração.

Escrito por Zé às 23h01
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13/01/2013


E aí, suas ideias mofam na mente

ou descem para as mãos?

Escrito por Zé às 20h48
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09/12/2012


Velho tempo novo

            (José Maria Alves Nunes)

 

Pensei o tempo fosse outro

Mas vejo ainda flores mortas

Cobradores batendo às portas

Mendigos pelas calçadas

Crianças de olhos opacos

Políticos ratos

Comunistas desfilando carrões

Artistas correndo chapéus

Enfim...

Mazelas às pampas

Nunca vi tantas

E eu pensei o tempo fosse novo

Escrito por Zé às 22h24
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Desaforos

            (José Maria Alves Nunes)

 

Eu vivo da forma que mereço

E graças a Deus, pra ser feliz,

não preciso de teu apreço

de tua aprovação

de teu perdão.

Vivo ao meu modo, às minhas custas

 fora de alcance de suas garras curtas,

Estou além, nas alturas,

Enquanto te arrastas

Ignóbil, réptil inútil.

Escrito por Zé às 22h23
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Virus metálico

(José Maria Alves Nunes)

 

 Avança veloz e vorazmente sobre as mentes

o atraente poder das mídias

e aniquila a criatividade.

Rendem-se aos holofotes os poetas,

músicos, artistas de toda sorte,

e de toda parte, para infortúnio da arte

que jamais precisou de exposição

senão pelo valor intrínseco

reconhecido dia após dia

ao longo dos anos

até chegar à imortalidade

Escrito por Zé às 22h20
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07/12/2012


Incerteza

      (José Maria Alves Nunes)

 

Da mão suspensa

despenca

a convicção

E antes do golpe

de morte

já pede perdão

Escrito por Zé às 23h33
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01/12/2012


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Escrito por Zé às 18h39
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02/11/2012


Escrito por Zé às 16h52
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18/10/2012


Coisas lá de casa

        (José Maria Alves Nunes)

 

Na cozinha, em cima do fogão à lenha construido junto ao peitoril que dava vista para o terreiro interno, ficava o mini-tamborete onde meu pai se sentava todas as manhãs, bem cedinho, enquanto minha mãe punha água pra ferver na chocolateira que, é bom esclarecer, nunca servia para fazer chocolate, era sempre café. Cresci sem saber o porquê chocolateira. Mas, voltando ao assunto, depois de coar o café, ela, minha mãe, servia a ele, meu pai, em uma caneca esmaltada, verde, já toda batocada pelo tempo, e pelas quedas que minhas irmãs davam nela quando iam à fonte lavar os terens.

O cheiro de café se espalhava por todos os poucos cômodos da casa levado pela leve brisa do amanhecer, e embriagava a todos nós, aguçando a nossa vontade de tomar um gole. Mas aos meninos quando não um chá de folha de laranjeira, era destinada apenas a garapa – aquela água com rapadura e uma pitada de café, aquela coisa insossa, sem graça. Nessas horas eu ansiava ficar adulto para poder tomar aquele café forte e saboroso que só meu pai e minha mãe tinham direito.

Depois, meu pai descia do fogão, apanhava o embornal, amarrava o facão embainhado à cintura, punha sobre a cabeça o chapéu de palha, pegava a enxada, ou a foice, ou o machado, o que fosse apropriado para a atividade do dia, enfiava a cabaça de pescoço cheia d’água no cabo da ferramenta, jogava no ombro direito, e saía. Voltava sempre ao meio dia para o almoço, e a cesta.

Deitava-se cansado sobre um velho e imponente banco que ficava na sala sem paredes laterais, punha sob a cabeça um cepo como travesseiro, e chamava um de nós, filhos, para lhe fazer cafuné.

Na ansiedade de criança aqueles minutos de cafuné pareciam intermináveis. Mas logo meu pai ressonava, e então o escolhido saía pé ante pé para a vadiagem.

Quando nos juntávamos era sempre festa. Algazarra. Muitas brincadeiras – peão, gangorras, trapézios -. Fazímos coisas que até Deus duvidava. Certa feita, por exemplo, uma de minhas irmãs propôs a mim irmos “roubar” melancia na roça do vizinho. Claro que eu topei de pronto. E infelizmente fui pego em flagrante e fiquei em situação muito vexatória. Mas isso é papo para outra ocasião.

A nossa vida se resumia às coisas que nos rodeava entre o alvorecer e o anoitecer. Em nada diferente de outras famílias sertanejas. E éramos, embora a escassez, muito felizes. Enquanto meu pai lavourava na capina da roça, nós realizávamos tarefas mais simples, como juntar em coivaras os gravetos mais resistentes à queimada feita antes do plantio, regar algumas mudas de árvores frutíferas, ou tanger os assuns que insistiam em desenterrar as sementes de arroz semeadas no roçado. À minha mãe cabia as de casa; água nos potes, pilar grãos, varrer os terreiros, cozinhar, enfim, os afazeres comuns às donas de casa.

À noite todos sentavam-se ou deitavam-se nas esteiras de palha postas no terreiro, e vendo a lua, e admirando estrelas, alegres, e atentos ouvíamos as muitas estórias que em certas ocasiões eram contadas por minha vó quando nos visitava. As estórias eram contos de fadas, n’outras vezes aquelas assombrosas. Quando eram dessas a gente ia se achegando pra perto de minha mãe, agarrando-lhe a saia.  E assim vimos a adolescência chegar.

Escrito por Zé às 17h20
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